1° prova do Enem é sofisticada e atual, apontam especialistas

Mais de 5,5 milhões de candidatos fizeram a primeira prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) neste domingo (4). A avaliação, segundo coordenadores pedagógicos e professores ouvidos pelo R7, se mostrou bastante atual e sofisticada, exigindo do aluno interpretação e atenção.

Os estudantes tiveram que responder 45 questões de linguagens (língua estrangeira, língua portuguesa e literatura), mais 45 de geografia e história, além de uma redação dissertativa-argumentativa. Mais cedo, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) informou que a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet foi o tema escolhido para a redação neste ano.

Para o coordenador do Curso Anglo Daniel Perry, a prova se mostrou muito bem elaborada. “O nível de dificuldade variou de médio para difícil, dependendo da área do conhecimento. No geral, uma avaliação sofisticada e atual, exigindo de o candidato estar bem preparado e atento com a contemporaneidade”, analisou.

A avaliação do coordenador pedagógico do Colégio Objetivo Giuseppe Nopilione é similar: “Como um todo, foi bem atual”. Ele argumenta que o exame mencionou questões que têm acontecido nos últimos dias, principalmente no tocante à política. “Enunciados sobre movimentos sociais e direitos humanos foram marcantes nessa edição”, disse.

O diretor pedagógico da Oficina do Estudante Celio Tasinafo reconhece que a “prova nunca foi fácil”. Segundo o professor, “o Enem é muito exigente em termos de leitura, mas o aluno que fez as últimas três edições não se surpreendeu com a prova deste ano”.

Linguagens

Para Nopilione, a prova de linguagens manteve o nível de questões quanto a exigência do examinador. “Os textos são mais atuais do que nunca, e não tão densos, ou seja, não são textos tão longos, mas que exigem atenção do candidato ao interpretar o enunciado”, comentou.

“Trouxe abordagem de diferentes gêneros textuais com poesia, quadrinhos e científico”, exemplificou Tasinafo. “Permanência de temas ligados a preconceitos sociais, questões LGBT, arte e literatura contemporânea”, acrescentou Perry.

Ciências Humanas

Em história, por exemplo, houve uma cobrança relativa a história brasileira. “Enunciados claros, abordando também direitos civis, votos femininos, dialogando de forma interessante com o que de mais recente é produzido na academia”, comenta Perry.

Tasinafo alerta para o fato de o número de questões de filosofia ter sido maior neste ano, quando comparado com o ano anterior. “Teve cinco contra duas de 2017”, disse.  A avaliação, segundo Nopilione, abordou também movimentos sociais, transformações políticas e afins. “Exigia um cuidado na interpretação, mas era textos claros e uma outra apresentava armadilha nas alternativas”, relatou.

Anos anteriores

Para o professor de filosofia e sociologia do Colégio Objetivo José Maurício Mazzucco, a prova foi honesta se colocada com a proposta do Inep. “Conteúdo atual, o que é superimportante, e em xeque questões relevantes para o atual cenário”, disse. “O que também encontramos em edições anteriores, no entanto, a de hoje se mostrou bem contemporânea.”

O nível de dificuldade permanece semelhante, contou Perry. “Os enunciados estavam mais claros, tanto que ainda não há controvérsias verificada em nenhuma questão até o momento”, argumentou. A redação, no entanto, causou um impacto maior porque o tema é presente nos debates político, analisou o coordenador.

Temas como refugiados, a definição de fronteiras nos dias atuais, problemas sociais como feminicídio, caráter político do concurso de mulheres a Miss Peru 2018, entre outros foram colocados na prova deste domingo. “De maneira geral, discute a cidadania, relacionado a pluralidade que a sociedade brasileira tem. Assim como Enem”, acrescenta Tasinafo.

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