16º Fórum de Gestão de Pessoas da ABRH-RS * Novo Hamburgo

A Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS) promoveu hoje (22/08) o 16º Fórum de Gestão de Pessoas, no Teatro da Feevale, em Novo Hamburgo (RS). O tema debatido foi A arte de liderar: engajar e influenciar pessoas na conquista de resultados. O presidente da ABRH-RS, Orian Kubaski, afirmou que este é um momento onde as organizações precisam se reinventar. “Esperamos que os debates apontem caminhos para a efetividade de uma gestão voltada às pessoas e com resultados”, afirmou.

O diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, Eduardo Carmello, falou sobre o impacto do engajamento nos resultados e na transformação organizacional. Segundo ele, a arte de liderar não se constrói só com o conhecimento e a experiência. São necessários dedicação e envolvimento do líder para identificar porque um funcionário é engajado ou não. “O funcionário engajado não é apenas o cumpridor de tarefas, ele tem algo a mais, um brilho no olho. O líder só vai saber quem é engajado e quem não é se for presente, se conhecer bem sua equipe”, relatou, explicando que o modelo de feedback onde só o gestor aponta falhas não funciona. “O chefe deve avaliar e dar feedback, mas deve abrir espaço para a cultura do feedback vir do colaborador, de uma forma aberta, que seja verdadeiramente eficiente”, aponta.

Carmelo destacou que a estratégia de engajar deve ter como foco a melhora dos resultados e o aumento da produtividade aliados à motivação do colaborador. “Todo líder deve ser mentor dos novatos e tem de estar preparado para manter, desenvolver e reter quem realmente apresenta resultado”, enfatizou. Para Carmelo, a gestão deve olhar para cada colaborador percebendo as singularidades de cada um e chama este processo de Gestão da Singularidade. Ele deixou quatro dicas de como praticar essa gestão diferenciada. “É preciso ter em mente que alinhamento precede engajamento; gestão do engajamento é singular, com o propósito de afetar resultados coletivos; sempre combine engajamento com performance, pois todos crescem; e permita que seus funcionários fomentem, acompanhem e auditem princípios estratégicos”, esclarece.

O evento contou com um painel de apresentação de cases, mediado pela professora e pesquisadora da Universidade Feevale, Maria Cristina Bohnenberger. Estiveram presentes o vice-presidente de Administração e Finanças da Randon e também presidente do Conselho Diretor do PGQP, Daniel Randon; o publicitário e co-fundador da Shoot The Shit, Gabriel Gomes; e a presidente da Federasul, Simone Leite. Gabriel Gomes falou que as empresas devem abraçar causas que tenham diferenciais, que saiam do lugar comum para gerar propósito, impacto e transformação. Ele explica que ter propósito é saber explicar por que estamos aqui, por que existimos. Causar impacto é saber como e onde queremos impactar. E a transformação tem efeito quando está claro o que desejamos mudar. “A maneira como as pessoas se comportam na empresa define a maneira  como a empresa se comporta no mercado”, diz, apontando que se trabalharmos em microorganismos juntos podemos fazer melhor. “Precisamos implementar uma lógica mais distribuída de comunicação e ter uma noção de construção coletiva de algo maior do que nós mesmos”, declara. Gabriel destacou que as empresas existem para servir os interesses das pessoas e que é preciso ter a cultura de se aprender com os erros. Daniel Randon acredita que, como organização, o Grupo Randon busca se renovar para estar à frente no que diz respeito à gestão e competitividade. Apontou que um dos papéis da organização é desenvolver as suas lideranças.

Disse que a empresa deve ser sustentável e confiável e que o líder bem preparado faz os resultados aparecerem, inspirando e sendo exemplo para sua equipe. Ele destacou que a reformulação nos processos gerenciais de uma empresa deve se dar a partir do conhecimento dos valores que a empresa defende. “Estes valores devem ser conhecidos por todos os colaboradores, do diretor à pessoa que serve o café. Se houver algum colaborador que não conhece o propósito da organização, então há falha”, declara. Randon destacou que a partir da criação de ações internas que passaram a envolver mais os funcionários como integrantes da equipe, os resultados melhoraram. “A criação de uma identidade organizacional, a ID Randon, fez com que as pessoas estivessem cada vez mais alinhadas aos objetivos da empresa, praticando os princípios da organização”, explica, defendendo que isso motiva as pessoas. Simone Leite enfatizou que o gestor que é mais parceiro da sua equipe, que trabalha ao lado dos funcionários e que demonstra se importar com as pessoas, consegue engajar melhor. “As pessoas se sentem parte do projeto quando o líder se engaja também”, diz, destacando cinco itens fundamentais que todo o líder deve possuir: simplicidade, coerência, confiança, encantamento e, principalmente, humildade. Simone explica que a simplicidade está na forma de agir. A coerência está no exemplo. A confiança se constrói na relação diária de trabalho, nas atitudes e no comprometimento do líder. O encantamento é despertado pelo conjunto de boas ações da gestão e a humildade é a base para se ter a equipe engajada. “As pessoas não devem ter medo da chefia, elas precisam sentir que podem contar com ela, isso faz com que as pessoas trabalhem mais felizes para você”, explica.

O historiador Leandro Karnal, falou sobre liderança com sustentabilidade. “Não há problema em ter lucro, em ser sustentável, o problema é quando falta a ética”, declarou, explicando que uma liderança que não pratica as condutas da empresa não é bem sucedida quando cobra resultados. Ele aponta que o líder deve ser transparente, motivador e ético e cita a crise política do Brasil como um exemplo de falha na gestão. “Quando não há administradores pensando na empresa, há crise na liderança”, compara. Para Karnal o grande desafio é sair da zona de conforto. “A repetição é uma questão biológica da raça humana. Quando eu repito algo, faço mais facilmente. Por isso, é tão difícil fazer algo diferente”, explica falando que as ligações dos neurônios, no cérebro humano, se tornam sólidas à medida em que são repetidas. Ele destaca que o líder, antes centralizador, passou a ser parte do processo de ação. “A liderança deve potencializar os talentos e não anulá-los”, diz enfatizando que a mudança dentro das organizações começa dentro de cada um e que a motivação vem do líder inspirador e honrado.

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