45º Festival de Cinema de Gramado premia vencedores

Após nove dias de exibições e debates, a 45ª edição do Festival de Gramado chega ao fim neste sábado (26) na Serra do Rio Grande do Sul. No período, foram projetados 44 filmes, entre curtas e longas-metragens, nacionais e estrangeiros, dentro da mostra competitiva. O anúncio dos vencedores será no Palácio dos Festivais e terá transmissão ao vivo do G1, a partir das 20h45, onde serão exibidos todos os detalhes da premiação, além de registros dos bastidores da cerimônia. A festa terá uma participação musical da atriz e cantora argentina Soledad Villamil, que lançou seu último álbum “Ni Antes Ni Después” em meio ao evento. Ela foi homenageada com o Kikito de Cristal na noite da última quinta (24).

Ao todo, serão distribuídos kikitos em 28 categorias. O cobiçado troféu dourado é esculpido em broze, pesa 3,5 quilos e mede 28 centímetros. Há ainda quatro tipos de premiação por fora: prêmios do júri da crítica e popular, Prêmio Canal Brasil de Curtas e o Prêmio Canadá 150 Jovem Cineasta, fruto de uma parceria com o país convidado da edição, que será entregue a um curta-metragista brasileiro de até 30 anos. O vencedor ganhará uma viagem para estudar no Vanarts em Vancouver e um curso de inglês intensivo voltado à indústria cinematográfica de três meses na Toronto Film School. Os troféus são divididos em curtas e longas-metragens brasileiros e longas-metragens estrangeiros. Os curtas-metragens gaúchos já foram premiados em cerimônia no domingo (20) passado. Na ocasião, “Secundas”, de Cacá Nazario, foi eleito o melhor filme. Já “Yomared”, de Lufe Bollini, e “Temporal”, de Gabriel Honzik”, se dividiram em número de troféus, com três cada.

A disputa entre os brasileiros

Sete longas brasileiros concorrem ao Kikito. Do drama ao faroeste, são todos inéditos no país, uma exigência para estar em Gramado. O mais badalado foi “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky. Após passar em festivais pela Europa, o filme teve a primeira exibição no Brasil em Gramado, e foi bastante aplaudido. O filme aborda as agruras da mulher contemporânea. A protagonista Rosa, vivida por Maria Ribeiro, que tem grandes chances de levar o Kikito pra casa, vive às turras com a mãe, com um emprego indesejado, com as ausências do marido, um ambientalista que viaja seguidamente a trabalho, e com os cuidados com as duas filhas pequenas. Elogiado e celebrado pela crítica, o filme também é bastante aguardado pelo público. O longa entra em cartaz nos circuito comercial na próxima quinta (31).

Vencedor do Kikito em 2012 por “Colegas”, o cineasta paulista Marcelo Galvão entra na disputa pelo troféu dourado neste ano com o faroeste ambientado no sertão “O Matador”.É o primeiro filme original da Netflix produzido no Brasil. A trama é um faroeste que se passa no sertão pernambucano. Conta a história de Cabeleira, vivido pelo português Diogo Morgado, criado desde bebê por um matador conhecido como Sete Orelhas, que um dia some para não mais voltar. Ao sair em busca do “pai adotivo”, Cabeleira descobre uma cidade sem lei, dominada pelo vilão Monsieur Blanchard, interpretado pelo francês Etienne Chicot, que faz par com a atriz portuguesa Maria de Medeiros, que atuou também em “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, de Quentin Tarantino. Ainda aparecem na tela Igor Cotrim, Thaila Ayala, Deto Montenegro, Marat Descartes, Nill Marcondes, Mel Lisboa, Daniela Galli, Paulo Gorgulho e Thaís Cabral. Em contrapartida, está o estreante na direção de longa-metragem Fábio Meira. Ele apresentou em Gramado o doce “As Duas Irenes”. Na trama, uma menina de 13 anos, de uma família tradicional do interior, descobre que o pai tem uma filha de outra mulher, com a mesma idade e o mesmo nome dela, Irene. Uma vai atrás da outra e entre elas surge uma amizade improvável.

“Bio”, de Carlos Gerbase, é o representante gaúcho da lista. O trabalho é uma espécie de “falso documentário”, em que os personagens relembram um homem que viveu 111 anos. É uma ficção que reúne depoimentos de 39 pessoas ligadas à vida do protagonista: mãe, pai, irmãos, esposas, amigos, colegas de trabalho, médicos, professores, amantes. “Bio” tem no elenco nomes como Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Sheron Menezzes, Rosanne Mulholland, Bruno Torres, Marco Ricca, Tainá Müller, entre muitos outros. Baseado na obra do escritor americano radicado na Inglaterra Henry James, “A Fera na Selva” tem a dupla Paulo Betti e Eliane Giardini diante e atrás das telas.

Por fim, duas coproduções entre Brasil e Argentina finalizam a relação de longas nacionais. “Pela Janela”, de Caroline Leone, conta a história de uma operária paulista de 65 anos. Um dia, de repente, ela é demitida da fábrica onde dedicou boa parte da vida ao trabalho. Ela deixa a periferia de São Paulo e viaja de carro com o irmão até Buenos Aires. No caminho, descobre outros ares, nunca vistos antes, e se redescobre. “Vergel”, de Kris Niklison, encerrou a mostra competitiva. Na trama, protagonizada por Camila Morgado, um casal viaja para passar as férias em Buenos Aires. Lá, porém, o homem morre em um acidente de carro. A mulher, de luto e à beira da loucura em um país desconhecido, precisa lidar com a perda enquanto busca resolver trâmites burocráticos que a impedem de voltar para casa. Entre os latinos, também são sete longas. A Argentina e o Uruguai lideram as indicações, com duas produções cada (confira abaixo os nomes de todos os concorrentes).

Premiação do 45ª Festival de Cinema de Gramado

Data: Sábado, 26 de agosto
Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697)
Quanto: R$ 140

Mostra competitiva

– Longas nacionais

  • “A Fera na Selva” (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel
  • “As Duas Irenes” (SP/GO), de Fábio Meira
  • “Bio” (RS), de Carlos Gerbase
  • “Como Nossos Pais” (SP), de Laís Bodanzky
  • “O Matador” (PE), de Marcelo Galvão
  • “Pela Janela” (Brasil/Argentina), de Caroline Leone
  • “Vergel” (Brasil/Argentina), de Kris Niklison
  • – Longas estrangeiros

    • “Los Niños” (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi
    • “Pinamar” (Argentina), de Federico Godfrid
    • “El Sereno” (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad
    • “Sinfonía para Ana” (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito
    • “La Ultima Tarde” (Peru), de Joel Calero
    • “X500” (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango
    • “Mirando al Cielo” (Uruguai), de Guzmán García

    – Curtas nacionais

    • “#feique”, de Alexandre Mandarino (RJ)
    • “A Gis”, de Thiago Carvalhaes (SP)
    • “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal (RJ)
    • “Caminho dos Gigantes”, de Alois Di Leo (SP)
    • “Mãe dos Monstros”, de Julia Zanin de Paula (RS)
    • “Médico de Monstro”, de Gustavo Teixeira (SP)
    • “O Espírito do Bosque”, de Carla Saavedra Brychcy (SP)
    • “O Quebra-cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro (RJ)
    • “O Violeiro Fantasma”, de Wesley Rodrigues (GO)
    • “Objeto/Sujeito”, de Bruno Autran (SP)
    • “Postergados”, de Carolina Markowicz (SP)
    • “Sal”, de Diego Freitas (SP)
    • “Tailor”, de Calí dos Anjos (RJ)
    • “Telentrega”, de Roberto Burd (RS)

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