AGENDA: SOUTH SUMMIT 04 A 06 DE MAIO EM PORTO ALEGRE

Por onde o South Summit passou, deixou um rastro positivo para os setores envolvidos com inovação e para os empreendedores dessa área. Em Porto Alegre, que receberá o evento pela primeira vez entre 4 e 6 de maio, no Cais Mauá, a expectativa é a mesma. Com um plano de se transformar na cidade das startups , a capital gaúcha pode se inspirar nos locais que receberam o evento anteriormente para conhecer suas vantagens e seu provável legado.

— Quando tu tens um grande evento, acaba sendo um elemento catalisador das iniciativas nas quais a gente está. A maré sobe e todos os barcos sobem. Essa é uma expressão que usamos muito no South Summit — diz o presidente do evento, José Renato Hopf.

Conforme o dirigente, o evento de inovação não é simplesmente mais um evento de um congresso, ele tem o próprio congresso.

— O objetivo é que ele deixe um ecossistema de inovação para Porto Alegre, o Rio Grande do Sul e o Brasil, com uma conexão global. Ele é muito focado em gerar impacto no ecossistema local — sinaliza o dirigente.

Questionado sobre o legado do evento para a capital gaúcha, Hopf cita que a organização está com mais do que o dobro de procura em todos os números envolvidos. Ele não esconde a euforia:

— Vai ser o maior evento de inovação internacional da América Latina já realizado até hoje sob qualquer número — acredita, compartilhando que muitas startups, empresários e empreendedores ainda procuram a organização para tentar participar de alguma forma.

Reconhecido como uma plataforma global para inovação e conexões, o South Summit surgiu em Madri, na Espanha, há uma década. A edição mais recente, no ano passado, contou com mais de 20 mil participantes e de 8 mil empresários. Desses, 7 mil eram corporativos e 1,6 mil investidores com carteira de investimentos de US$ 135 milhões. Madri, por sinal, sedia o evento anualmente e sem interrupção desde o começo (confira os anos e as sedes no fim do texto).

Porto Alegre é o primeiro lugar, além da capital espanhola, a receber uma edição completa do South Summit. Em outras cidades, o evento realizou edições temáticas, conhecidas como verticais, que são consideradas menores em termos de assuntos e de público. As cidades que sediaram as verticais, até agora, foram Bilbao, Málaga, Valencia, Bogotá e Cidade do México. Buenos Aires recebeu o South For Arts Argentina, organizado pelo South Summit em 2014.

— O South Summit fez de Madri um destino de negócios de inovação. Deu visibilidade e protagonismo para aquelas startups, fundos e empresas com sede em Madri fazerem da cidade um ponto de negócios. Madri passou a ser um ponto de circulação de grandes volumes de capital de risco e ponto preferido de exposição das startups que possuem propostas para fazerem a captação desses fundos. O impacto é de transformar a cidade em um local de negócios e resultados econômicos de inovação. Esse é o grande legado — explica o conselheiro do evento em Porto Alegre, Eduardo Lorea, que também é fundador e CEO da Numerik.

A maré sobe e todos os barcos sobem. Essa é uma expressão que usamos muito no South Summit
JOSÉ RENATO HOPF
Presidente do South Summit Brasil

O secretário municipal de Inovação, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, divide suas impressões acerca das cidades que inspiraram os governos municipal e estadual a trazerem o South Summit, e também do provável legado que o evento deixará para a cidade.

— A nossa principal e maior inspiração é Madri, que acabou sendo um alavancador de todo o posicionamento da cidade como um ecossistema inovador. Porque o South Summit nasceu lá, justamente depois de uma grande recessão que houve — afirma o secretário, citando ainda outras cidades como inspiradoras por terem recebido iniciativas semelhantes, casos de Barcelona, Austin e Lisboa. — O caso de Austin (que recebeu o SXSW, um dos maiores festivais de inovação do mundo) me lembra muito Porto Alegre. Acho que o South Summit terá o efeito de despertar e fazer com que as pessoas entendam que tem um processo de transformação muito forte na cidade e no Estado — defende.

Também um dos coordenadores do Pacto Alegre, o secretário reitera que não basta sediar algo tão representativo sem estar preparado:

— O evento chega no momento adequado para a cidade, e a cidade está adequada para receber o evento. Estamos realmente vivendo uma espécie de Renascença (em referência ao período de grandes mudanças e avanços culturais que ocorreram na Europa, entre os séculos 14 e 16) de modelos de negócios através da inovação. Porto Alegre não vai ser uma cidade de passagem. Todas essas movimentações vão surpreender as pessoas pela riqueza do atual momento do ecossistema de inovação.

Sobre possíveis legados, Luiz Carlos Pinto aponta que o imaginário sobre Porto Alegre vai crescer muito. E volta a citar o exemplo de Austin, no Texas:

— Austin atrai hoje mais de 150 pessoas por dia para se mudarem para a cidade. Muitas empresas do Vale do Silício estão se reposicionando para Austin, que conseguiu criar a imagem de um lugar inovador, com boa qualidade de vida e com custos de mão de obra menores do que o Vale do Silício.

Entusiasmo talvez seja a palavra mais adequada para sintetizar o sentimento dos organizadores e demais envolvidos com o evento.

— O South Summit vai oportunizar a aproximação com uma grande rede voltada para a inovação, que amplia ainda mais o protagonismo e a importância do ecossistema presente na nossa cidade. A feira também abre portas para atrairmos novos negócios e investimentos em setores essenciais para o desenvolvimento da sociedade — observa o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e do Tecnopuc, Jorge Audy, que também é presidente do Comitê de Honra do evento.

Dessa maneira, Porto Alegre parece marcar presença novamente na galeria das cidades com vocação para sediar eventos robustos como o Fórum Social Mundial, a Bienal do Mercosul, o Fronteiras do Pensamento, a Copa do Mundo e a Copa América.

— Participarmos do South Summit é uma oportunidade de mostrarmos o potencial do nosso ecossistema, nos conectarmos com pessoas de diferentes lugares do mundo e, a partir dessa experiência, adquirirmos mais conhecimentos que contribuem para o desenvolvimento de negócios inovadores — pondera o gestor de Relacionamentos e Negócios do Tecnopuc, Leandro Pompermaier.

O CEO do Instituto Caldeira, Pedro Valério, coloca o evento na balança de ganhos para a Capital:

— Quando um evento desse porte acontece aqui, trazemos os holofotes do mundo inteiro. O South Summit contribui para dar luz justamente a uma série de iniciativas e de personagens do ecossistema local, que dificilmente teriam acesso a essa rede de conexões. A gente coloca na pauta da população a importância do tema da inovação em geral — avalia.

Sobre a cidade se tornar um polo de inovação, Valério comenta sobre a trajetória do próprio ecossistema:

— A oportunidade de trazer essa iniciativa para o Rio Grande do Sul mostra o grau de maturidade que o ecossistema vem trilhando nos últimos anos. O evento coroa esse processo e é uma ótima janela para aproximar todo o ecossistema daqui com o resto do mundo.

Estamos realmente vivendo uma espécie de Renascença de modelos de negócios através da inovação
LUIZ CARLOS PINTO
Secretário municipal de Inovação

Na primeira edição, em 2012, houve 500 participantes e 185 empreendedores. Cinco anos depois, já eram 12,5 mil participantes e 4,6 mil empreendedores, em Bogotá, na Colômbia. Por sua vez, em 2019, o número de participantes bateu na casa dos 20 mil. A escala é de ascensão, já que, no ano passado, 50 mil pessoas prestigiaram o South Summit.

O vice-prefeito Ricardo Gomes tem representado o chefe do Executivo municipal, Sebastião Melo, na agenda relacionada ao South Summit. Gomes enumera as vantagens imediatas e a médio e longo prazos para a cidade como sede do evento.

— A movimentação do comércio, do setor gastronômico, com as pessoas circulando, consumindo e se hospedando na cidade. Será renda desde o motorista de táxi e Uber até o comerciante de rua. Há toda uma ativação econômica pelo evento ocorrer — exemplifica o vice-prefeito.

De acordo com Gomes, outros fatores também representam ganhos para a capital.

— O segundo elemento, a médio e longo prazos, é a promoção de Porto Alegre. As pessoas estarão aqui e saberão o que temos para oferecer. Também há a ressignificação econômica, pois a Capital possui um sistema de inovação superdesenvolvido e supercompetitivo, de primeira categoria e capaz de disputar investimentos. E acontece a disseminação do conhecimento, e isso se incorpora à cidade. Quando ocorre um evento desses, nos coloca no mapa — reflete, ressaltando que o legado será a apresentação do potencial de inovação da capital gaúcha para o mundo.

Cifras do evento

No total, 25 mil startups participaram das disputas na história do South Summit. O valor de US$ 8,8 bilhões já foi investido em finalistas das edições anteriores, dos quais seis projetos se tornaram unicórnios (expressão reservada àquelas raras startups que atingiram o valor de mercado de US$ 1 bilhão) e outros 46 foram vendidos. Além disso, os finalistas das edições anteriores alcançaram mais de US$ 6 milhões em investimentos.

As startups que participaram do South Summit tiveram uma taxa de sobrevivência de 95%, o que é muito alto. Isso tem a ver com o fato de o evento apoiar as startups a se conectarem com os fundos. Só em 2021, as startups participantes captaram US$ 2,4 bilhões em investimentos.

O impacto é de transformar a cidade em um local de negócios e resultados econômicos de inovação. Esse é o grande legado
EDUARDO LOREA
Conselheiro do South Summit Brasil

Além dos benefícios percebidos nas cidades que sediaram o evento, as próprias startups finalistas em edições passadas percorreram uma trilha de sucesso. A Fintonic (finalista em 2013) obteve quase US$ 50 milhões. A JobandTalent (outra finalista de 2013) conseguiu US$ 406 milhões. A Cabify (finalista em 2014) ganhou US$ 466 milhões e, desde então, se tornou um unicórnio. A Glovo (finalista em 2016) levantou US$ 506 milhões e também virou unicórnio. Por sua vez, a Spotahome (vencedora em 2016) chegou aos US$ 56,86 milhões. Outro exemplo é a Wallbox (vencedora de 2017), que levantou US$ 411 milhões.

O secretário estadual de Planejamento, Governança e Gestão, Claudio Gastal, ressalta a importância de o evento ser agora realizado em território gaúcho.

— O importante é nós termos um evento global que acontece em Porto Alegre, e no Rio Grande do Sul, com exclusividade. Além deste ano, nos próximos dois anos, temos o desejo de que aconteça novamente na Capital. Porto Alegre não foi escolhida por acaso. Já existe na cidade uma série de iniciativas na área da inovação, como os parques tecnológicos, as incubadoras de empresas, universidades e formação de mão de obra — pontua o titular da pasta, dizendo que o Estado espera como legado a transformação de Porto Alegre como aconteceu em outras cidades que sediaram eventos parecidos ou até o próprio South Summit.

A perspectiva é de que grande parte das finalistas deixe o evento capitalizada por algum dos 90 fundos de investimento, dos quais 18 são internacionais, além de poderem integrar uma carteira de US$ 62 bilhões previstos para a América Latina e uma centena de corporações parceiras possíveis. O dinheiro parece estar de mãos dadas com a inovação.

Depois de ser realizada em Porto Alegre, outras duas edições estão previstas para este ano (Madri, em junho, e Bilbao, em novembro).

RS

Com mais de mil startups e 15 parques tecnológicos, o Estado terá 17 startups na competição de maio. Em Porto Alegre, há hubs como o Instituto Caldeira, situado no 4º Distrito e fundado por 39 grandes corporações da região, além de ser o primeiro projeto do Pacto Alegre (movimento que reúne os setores público, privado, sociedade civil e universidades em um objetivo comum) a sair do papel. Scale-ups — empresas que possuem um produto pronto, validado pelo mercado e com capacidade de fazer as vendas aumentarem num ritmo acelerado —, como a Zenvia (com recente IPO na bolsa Nasdaq, nos Estados Unidos), as fintechs Nelogica, Warren e Getnet, o primeiro unicórnio brasileiro, vendido para o Santander em 2014, são alguns dos destaques da capital gaúcha nesse universo a ser explorado.

Veja os anos e as cidades que sediaram o evento até hoje:

2012: Madri
2013: Madri
2014: Madri e Buenos Aires (South For Arts Argentina)
2015: Madri
2016: Madri
2017: Madri e Bogotá
2018: Madri, Cidade do México e Málaga
2019: Madri e Bogotá
2020: Madri (virtual)
2021: Madri, Bilbao e Valencia

Serviço

O que:
South Summit Brasil


Quando:
de 4 a 6 de maio


Onde:
armazéns 4, 5 e 6 do Cais Mauá


Horário:
das 9h às 19h30min


Endereço:
Avenida Mauá, 1.050, Centro Histórico


Acesso:
a melhor opção é entrar a pé ou de carro pelo estacionamento do Cais Embarcadero

Informações e ingressos: www.southsummitbrasil.com

Obs: cada ingresso dá direito à entrada nos três dias do evento

GZH

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