Escola cinquentenária é um marco nos 78 anos de história da cidade * Canoas

A história da Escola Estadual Especial Brigadeiro Ney Gomes se confunde com os 78 anos de Canoas. O município era um jovem adulto, prestes a completar 28 anos, quando a escola foi inaugurada. De lá para cá, uma legado de cooperação entre a comunidade escolar e a sociedade canoense se consolidou, transformando o Ney Gomes em uma das instituições mais reconhecidas da cidade.

Fundada em 21 de maio de 1967, a escola acolhe hoje cerca de 110 alunos, com diferentes deficiências e necessidades. Para comemorar os seus 50 anos, uma série de atividades foi realizada, incluindo o chamado “Túnel do Tempo”, um verdadeiro resgate à memória. A vice-prefeita, Gisele Uequed, prestigiou a iniciativa.

A responsável por organizar as fotografias em ordem cronológica é a professora Marília Nardin Hagel. Hoje aposentada, a ex-diretora conta que a evolução da escola, desde a sua criação, é surpreendente. “Antigamente, as crianças deficientes eram escondidas em casa, não existia uma cultura de inclusão. Na época, a criação da escola foi um verdadeiro avanço e pioneirismo na cidade de Canoas”, destaca Marília.

A escola leva o nome de um importante brigadeiro da aeronáutica, responsável por fomentar e incentivar a sua criação. O terreno onde ela se encontra pertence à União, cedido pelo antigo 5° Comar, hoje Ala 3. No termo assinado na época, ficou estabelecido que a escola funcionaria em caráter especial, caso deixe de atender este público, a União retomará a posse da área. No início, a Ney Gomes e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Canoas, fundada no mesmo ano, dividiam o espaço ofertado pela Aeronáutica e as professoras que lá trabalhavam eram cedidas pelo município. Em 1985, o Governo do Estado assumiu os repasses financeiros à escola, que passou a fazer parte da administração estadual.

A atual diretora da escola, Maria das Graças Pinheiro Lima, comenta que em 2015 foi necessário fazer uma adaptação do regimento da escola, por orientação da Secretaria Estadual de Educação. “Hoje, nossos professores trabalham com alunos de diferentes especificidades juntos em uma sala de aula. As atividades são preparadas de acordo com o que cada aluno apresenta. Por conta disso, todo o dia aprendemos coisas novas, tudo muda e nada é igual”, explica Maria das Graças. Com a idade mínima de 6 anos e máxima de 25, quem passa pela Ney Gomes recebe formação e orientação, visando a inserção na sociedade. “Nosso maior objetivo é trabalhar com uma inclusão consciente dentro e fora da escola”, destaca.

Em 50 anos de história, muitos registros foram sendo guardados com carinho pela professora Marília. São dezenas de álbuns e centenas de fotos espalhadas em colagens expostas na parede de uma sala de aula. O “Túnel do Tempo” foi uma feliz ideia de mostrar para a comunidade, em imagens, o que a escola representa para o município e para o estado. “Hoje eu encontro muitos alunos inseridos no mercado de trabalho. Quando vou a um supermercado, por exemplo, e encontro um ex-aluno nosso, meu coração se enche de alegria. Reconhecer os rostos dessas imagens é gratificante e recompensador”, emociona-se Marília. Ainda sobre essa dedicação, a diretora Maria comenta: “os professores que passam por aqui trabalham por vocação e amor. Se estivessem aqui pela profissão, não permaneceriam”.

Dentre as conquistas atuais, a diretora comemora a reabertura da biblioteca da escola, um espaço onde os alunos interagem através da contação de histórias e contato com a literatura. Durante os 50 anos de Ney Gomes, a escola construiu uma história de adaptação, evolução e inclusão social. “Nosso desafio é manter um espaço tão importante para a nossa cidade, transformando nossos alunos em cidadãos comprometidos com o desenvolvimento de Canoas”, finaliza Maria das Graças.

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