EXPOINTER 2020 É CANCELADA PELO GOVERNO DO RS E FARSUL

Anteriormente prevista para ocorrer no final do mês de setembro, a Expointer 2020 teve seu cancelamento confirmado em nota conjunta divulgada na tarde desta quinta-feira (2) pelas entidades promotoras do evento e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. No texto, os organizadores anunciaram a decisão de suspender o tradicional evento do agronegócio gaúcho em função da pandemia da Covid-19.

Na nota, os promotores destacam que “de comum acordo, decidiu-se pela cancelamento do histórico evento aberto ao público no Parque de de Exposições Assis Brasil na cidade de Esteio (RS), em função da pandemia causada pela Covid-19”. O texto, assinado pelo secretário da Agricultura, Covatti Filho, e pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, diz ainda que provas técnicas de associações de produtores e atividades de julgamento de animais serão consideradas, observando os protocolos de saúde pública, e sem a participação de público. As entidades reforçam ainda que a decisão tomada “fundamenta-se em critérios de adequação às normas sanitárias, ao tempo em que reafirma-se a importância do evento agropecuário para a sociedade gaúcha”.

Decisão considerou baixa adesão do público ao evento, aponta Covatti Filho.

A decisão de cancelar definitivamente a Expointer foi unânime (em videoconferência realizada com todas as associações copromotoras da feira), diz o secretário estadual de Agricultura, Covatti Filho, e levou em conta o temor de que, mesmo prevista e organizada para outubro, o público poderia não comparecer em número que justificasse o evento. “Os outros promotores da feira manifestaram o receio que vinha do Interior, do produtor rural. As entidades nos trouxeram essa preocupação e se decidiu que, não sendo possível uma feira grandiosa, era melhor cancelar. Mas haverá algumas ações direcionadas aos criadores de animais”, explica Covatti. A data ainda está em discussão, mas será posterior ao período tradicional, entre final de agosto e início de setembro, explica o secretário. Os formatos e o que será permitido também começam a ser planejados a partir de agora.

Cancelamento não deverá impactar finanças municipais de Esteio

Em termos de arrecadação, a não realização do evento não traz um impacto significativo nas finanças do município de Esteio, já que a prefeitura também tem custos elevados com o reforço especialmente na prestação de serviços, como de limpeza, fiscalizações e controles de trânsito, explica o prefeito, Leonardo Pascoal. Ainda que haja uma perda para hotelaria, comércio e restaurantes, assegura Pascoal, as despesas geradas aos cofres públicos são elevadas. “Claro que a feira traz um ganho, mas nada que irá comprometer as finanças municipais com a não realização, que decidida por unanimidade. Os ganhos das grandes vendas dentro do parque não ficam no município”, explica o prefeito. De acordo com Pascoal, a própria comunidade estava temerosa com a realização da feira. Além disso, haveria o risco de todos – setor privado e público – investirem no evento e, próximo à data, o agravamento da pandemia levar ao cancelamento poucos dias antes.

“Não tínhamos alternativa. Não existem protocolos suficientes para um evento do porte da Expointer. É um grande investimento que corria o risco de as próprias pessoas não irem, de o produtor não aparecer, inclusive”, analisa Pascoal. O presidente da Federação Brasileira dos Criadores de Animais de Raça (Febrac), Leonardo Lamachia, acrescenta que a área de animais, de qualquer forma, deverá realizar nas pistas do parque algumas competições de raça e até remates. A Febrac estuda agora em que formato deve organizar seus eventos em Esteio, em datas ainda a serem definidas, em algo como uma exposição de animais com ingresso apenas para participantes. “A Expointer em si, pela sua grandeza e restrições de público, acabaria descaracterizada. A decisão de cancelar foi unânime entre todos os copromotores. Mas as associações de animais de ração poderão promover, no mesmo período, julgamentos e provas, sem público”, explica Lamachia.

JC

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