Sistema de segurança no Brasil está falido, diz Jungmann após tiroteios no Rio

O sistema de segurança do Brasil está “falido”, reconheceu o ministro da Defesa, Raul Jungmann, em um ato no Rio de Janeiro, onde novos confrontos entre traficantes e policiais deixaram três mortos na quarta-feira 31 e bloquearam o tráfego em uma das principais vias da cidade. Nesta quinta-feira 1º, houve um novo tiroteio, no mesmo local, nas cercania da Cidade de Deus, comunidade em Jacarepaguá, zona oeste da cidade.

“Este sistema vigente está falido, e o que estamos vivendo hoje é o feito, não apenas da falência, do desenho deste sistema, mas o feito de muitas outras razões”, assinalou o ministro, apontando que as facções de traficantes de drogas não apenas se tornaram mais fortes dentro das prisões superlotadas, conseguindo se nacionalizar, como agora querem ser transnacionais.

Jungmann reforçou o caso da violência crescente no Rio, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, e agora um estado à beira da falência que acumula atrasos no pagamento de seus funcionários, incluindo a Polícia. Há “a influência da crise neste processo, da falta de recursos para serem canalizados para a segurança pública”, disse Jungmann.

Os tiroteios, praticamente diários nas comunidades, explodiram na manhã de quarta na Cidade de Deus, quando policiais militares entraram na localidade e tiveram um confronto com criminosos armados, informou a PM em comunicado.

Três supostos traficantes morreram durante a operação, um deles aparentemente chefe do tráfico no local. Alguns moradores da comunidade se manifestaram contra a intervenção lançando pneus em chamas na Linha Amarela, um das principais vias expressas da cidade, que liga a zona oeste à Avenida Brasil, passando pela zona norte.

A Polícia decidiu fechar o tráfego preventivamente nos dois sentidos durante pelo menos uma hora, gerando longos engarrafamentos e semeando o pânico entre os motoristas. Nesta quinta-feira, houve nova troca de tiros e a Linha Amarela ficou fechada por cerca de 40 minutos entre 8 e 9 horas da manhã.

As declarações de Jungmann se seguem aos trágicos episódios ocorridos no Ceará, onde 14 pessoas foram assassinadas no sábado em uma boate em Fortaleza, e na segunda-feira 10 presos morreram em uma rebelião em um presídio no interior do estado.

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